Sally bufou, exasperada.
Odiava a irmã gémea! Com todos os seus nervos! Enervava-lhe tudo nela, especialmente as semelhanças!
Era mentira. Sally não conseguia – não podia! – imaginar a sua vida sem Alix.
No entanto, em certos dias…
Tudo tinha corrido bem. Sem falhas. Sem desvios. Sem sustos.
Até hoje.
Hoje, tudo havia mudado.
Há um mês atrás, quando iniciaram esta aposta, nada fazia prever este desfecho.
Sally cumprira a sua parte meticulosamente.
Nem uma palavra falsa saíra dos seus lábios.
Assumira todas as consequências .
Perdera a amizade de James quando lhe confessara ter sido ela a espalhar que o pai lhe batia (para que fora ele perguntar uma coisa destas nesta altura?).
Pusera em risco a confiança que o pai sentia por ela quando fora obrigada a confessar-lhe as cartas importantes desfeitas debaixo da garrafa de licor derrubada por uma bola travessa e uma mão desajeitada.
Toda a sua vida feita em farrapos.
Só porque dissera a verdade!
Porque não lhe faziam perguntas simples como “Achas que chove hoje?”, ou “Devo usar a sombrinha rosa com o vestido verde-água?”
Não.
Todas as perguntas que lhe haviam feito haviam sido ameaças directas à sua torre de ambições.
E nada restava delas, agora.
Mas Sally tinha-se mantido firme.
Não, não mentiria!
Um mês inteiro, tal como apostara com Alix.
Mas Alix era ambiciosa.
Sempre quisera ser mais que Sally. A melhor em tudo, e com um sorriso angelical no rosto, como se tal não fosse para ela uma tarefa árdua! Um sorriso melífulo e cruel de ninfa, à medida que deixava a infância.
Até nesta disputa.
Mas desta vez excedera todos os limites!
Alix fizera mais que dizer a verdade. Quisera desmascarar Susan.
Susan, a doce enfermeira que cuidara de Alix até à sua morte.
A mão que, de forma suave mas firme, as obrigava a tomar o remédio todas as manhãs.
Que as envenenara ambas.
Sally via agora a verdade que Alix lhe andara a tentar mostrar todo este mês, mas que chegara tarde demais, junto com o ténue sorriso de Susan enquanto Sally fechava lentamente os olhos pela última vez.

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